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sábado, 30 de abril de 2016

Cultura Informática

Ainda vi amigos com o Sinclair ZX Spectrum de 128K e ainda fiz um desenho num deles, com ajuda, claro. Fazia nessa altura parte de um grupo que emitia em TV pirata, ali num espaço perto da cooperativa junto à Casa da Cerca, em Almada. Tinham surgido em meados dos anos oitenta algumas TVs piratas em várias localidades do país. Nunca conseguiram vingar e foram obrigados a fechar. Foi pena.


 Quando consegui adquirir computador já foi na geração dos Intel 8086, tendo começado por aquilo que era o topo então, um PC Amstrad 386. Tinham saído há pouco tempo e os meus amigos que tinham comprado antes computador, estavam com os Intel 286. Eles é que me aconselharam esse. Naquele momento ainda não tinha a noção do que era a informática nem o ritmo aceleradíssimo a que esta se iria desenvolver. Apanhei tudo o que vinha do PC 286 em fim de linha, com o MS-DOS 3.2. Escrevia-se tudo no prompt e lá se lançavam os programas. Escrevia no WordStar e ainda experimentei uma versão do GEM (Graphical Environment Manager) que foi um sistema de janelas comum aos processadores Intel 8088 e Motorola 68000, que corriam então o mesmo sistema operativo, o CP/M. Mais tarde foi portado para MS-DOS e foi aí que eu o experimentei por dois ou três meses, mas surgia já com grande potencial o  Windows 3.1, que é imediatamente adoptado.

Primeiro o PC carregava o MS-DOS e depois no prompt, c:> escrevia win, ficava portanto assim "c:> win" seguido da famosa tecla Enter! e lá carregava o Windows. Isso acontecia porque se colocava a abreviatura no config.sys. Depressa passámos a usar uma linha de comando no autoexec.bat e assim a seguir ao DOS vinha logo o Windows.

Daí para a frente, tem sido ver software, explorar software, experimentar software e digo-vos que é também um fenómeno estético. Também explorei algum hardware. E caminhei, caminhei desde a Microsoft Corporation até à Open Source e ao Software Livre

E estou bastante satisfeito com todo o material que é disponibilizado de forma cívica e livre para os diversos usos, com o código fonte disponibilizado e sem necessidade de mordomias nem EULAs (end-user license agreement) nem subserviências. "As is". Como é e é tudo. Claro que há sistemas de licenciamento, aliás é a base de toda a partilha do conhecimento.

Muitos benfeitores têm possibilitado este movimento que atinge os pontos mais elevados nos nossos dias, através de donativos monetários de diversa ordem. 
Cada um contribui com o que pode nesta aventura do conhecimento da cibernética. Publicando em repositórios, actuando em redes sociais, escrevendo código, reutilizando código já escrito, interagindo na sua área, desenhando interfaces, efectuando traduções linguísticas das aplicações, etc. 

Dado que a minha economia não me permite no momento actual ser um benfeitor monetário de quem tem trazido grandes sistemas e aplicações ao mundo a minha forma de contribuir começou sendo pela divulgação dos materiais informáticos de elevada qualidade técnica e operacional e ao mesmo tempo construídos nos valores sociais da partilha, da liberdade e da distribuição gratuita. Estão a vencer em todas as frentes a batalha da ética, dos valores e da qualidade. 

O já divulgado OpenStreetMap http://sistemasdeordem.blogspot.pt/2016/04/open-street-map.html evidencia um estado avançado da base de dados geográfica na open source e a possibilidade de trabalhar esses dados off line, através de poderosas aplicações técnicas também open source como é o Merkaartor http://sistemasdeordem.blogspot.pt/2016/04/merkaartor.html

Tinha até andado mais debruçado sobre a modelação 3D e os jogos de construção partilhada, mas estes primeiros textos saíram-me sobre sistemas geográficos.
 Assim sendo iremos no próximo texto lançar um olhar sobre a Open Source Geospatial Foundation, ou OSGeo, http://www.osgeo.org/ organização sem fins lucrativos cuja missão é apoiar e promover o desenvolvimento colaborativo de tecnologias e dados geoespaciais abertos. Esta fundação entre muitas actividades contempla também o desenvolvimento de aplicações técnico-científicas como o GRASS GIS e didáctico-pedagógicas como o Marble.

Também tenciono divulgar os programas para a infância no pré-escolar e no primeiro ciclo como o Homem-batata, https://www.youtube.com/watch?v=WCJLKZpjFiY , o GCompris http://gcompris.net/index-pt_BR.html , o TuxType, o Tux Paint, o Lletters, etc.
Será interessante analisar o material informático em função das idades a que se destinam as aplicações e os processos e verificar como estas também se enquadram na organização de ciclos tal como se estrutura o ensino e o respectivo estatuto dos educadores e professores dos ensinos básico e secundário.
Queremos também reflectir sobre as orientações da integração informática nos planos tecnológicos nos níveis de ensino secundário.
E porque temos vontade de contribuir para um novo e mais abrangente plano tecnológico que poderá vir a desenhar-se nos próximos anos. E contamos com uma experiência multidimensional nesta área de mais de três décadas.
Esperemos conseguir força para essa tarefa acossados como andamos no emprego.
Até breve.



















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